[Na RTP2, com legendes, era mais melhor bom; mas mesmo assim, é excelente.]
PS: Infelizmente, devido a HDs ou coisas assim que eu não sei nem nunca vou saber, só se vê uma parte do visor. Enfim... Fica aqui o link directo, mais simples:
"Ao fundo da rua, o cruzeiro. Mais abaixo, a igreja e o cemitério. Na varanda da casa, Joaquim observava: Lucinda varria do pátio a água que a chuva tinha deixado ficar." Augusto Ferreira Belo in "Rua da Castela" [Grande Prémio de Romance da Academia Portuguesa de Escritores - 1984]
Partilho outra coisa, já que só são duas menos vinte: fui a Benidorm numa "visita de estudo" pelo liceu em 1992. Dantes Lorent del Mar (ou algo assim) chamava-se Benidorm e as viagens "de estudo", não de finalistas de merda nenhuma, que finalista é-se na faculdade: "finalista" - aquele que vai finalizar; o décimo segundo ano é só o meio do estudo, ora essa. Mas voltando aos Blur: e posso jurar quase a pé juntos que dancei esta música nas discónigthes de Benidorm. Será que em 92 já tinha saído como single? É que ela é só de 94, álbum "Parklife". Puta que pariu a memória.
Benidorm: aluguei uma vespa, andei como um trengo pelas escarpas com o cabelo e as borbulhas ao vento. E, sim, comi pela primeira vez no McDonalds. Foda-se, que eu estou velho.
[Acabei de reparar que o video "oficialmente" pirateado acaba antes do fim, o que quer que isto queira dizer. Há um video com a letra, que gostava de colocar a seguir. Mas não o faço: os inteligentes meteram uma caveira como fundo e esta música é a "música fixe". Pra puta que pariu as caveiras. Fica o video a acabar antes do fim, que os cabrões da EMI não me deixam colocar aqui o link. Já comprei os discos, ó tansos! Agora era só mesmo para digulvar, ó palermas. Inteligentes, esses gajos. Por isso é que negócio da música está de vento em "poupa". PS: o segundo está HD. Fodeu-se. Ide ao youtube e deixem-me ir dormir.]

Este é o parágrafo final do meu texto sobre Um Toldo Vermelho, publicado na LER deste mês e com o título Um Toldo às Escuras:
O que me agrada na Assírio é a sua imperfeição: uma editora é um cadáver surrealista, esquisito, cesariano. A Assírio não foi sempre a casa da poesia. A Assírio começou muito diferente. E de quando em vez surgem numa ou outra feira - desta vez por um euro na estação Oriente - exemplos de um começo tão pouco literário. Uma editora faz-se da soma dos erros que um editor toma. E, esperamos todos, ainda mais da soma dos acertos. Otelo Saraiva de Carvalho ao lado de Herberto Helder? Agrada-me. Quatro anos de diferença entre o primeiro "homem da luta" e A Cabeça Entre as Mãos. De quem gostamos mais? A capa, em cima, já é um bom pedaço de poesia... 


Escrevi o romance entre 2002 e 2004. Saiu na Dom Quixote, pela mão do João Rodrigues, faz agora exactamente quatro anos. A capa, do Atelier Henrique Cayatte com a Rita Múrias, tinha uma fotografia de Stuart Staples, o vocalista dos Tindersticks. Foi apresentado na Casa das Artes de Famalicão pelo António José Teixeira.
Escrevi-o como se de um projecto de arquitectura se tratasse. Cada voz sabia o tinha de dizer e como dizê-lo. Sentava-me, abria o ficheiro, colocava a banda sonora inicial. Esta que podem ver e ouvir em cima.
Todos os dias acordo com o Manel deixando o André à guarda da minha Lucinda.
É certo que depois o Manel ficou Fernando, o André, Rafael e a Lucinda, Justina. Mas já existiam todos na primeira frase, escrita também em Fevereiro, mas de 2002. Há oito anos. Time flies, se não for mais é o título de um álbum dos Vaya con Dios.



No meio da praça há um leão sobre uma águia. Celebra a vitória do meu povo sobre as invasões francesas, o regresso do rei depois de ter perdido, não dois, mas apenas um país. Hei-de ir a Nelas estabelecer outra provincía ultramarina, passamos o Douro e sabemos atravessado o maior dos mares. Há-de haver um fim para novo achamento. E o leão – mais do que a vitória por 7 a 1 do meu Sporting (não é isso que todos querem lembrar?) – representará o sossego de um país com um nome de terra mais que perfeito.
