
quarta-feira, 31 de março de 2010
Não perder os três na LER!

Matt
[Adenda: acabei de descobrir que videos HD chapéu nesta Rua. Podem ver o Matt, mas só a dois terços, que o outro terço só mesmo rezando no youtube. Ide lá mas venham pela sombrinha. O que eu quero mesmo dizer está no fim, e faz sentido depois de visto em condições o segundo video.]
A história conta-se rapidamente: um rapaz que há uns anos resolveu viajar pelo mundo. Um amigo que a certa altura lhe disse faz lá a tua dança estúpida para eu gravar. A ideia de fazer a dança estúpida em todo o lado. Um video no youtube, um apoio de uma empresa, e a dança estúpida em todo o lado. Esta:
Anos depois, nova ideia: muitos emails recebidos das cidades onde dançou estupidamente e porque não chamá-los para gravarem todos novo video? Desta vez, ele e muito mais gente. Aqui:
Coloco-o na Rua da Castela não só pela dança estúpida. Nem pelo facto de ao segundo 53 aparecer o Terreiro do Paço (parem lá a imagem, ora vejam). Não. Coloco-o porque este video é um dos maiores hinos que conheço à raça humana. A este animal que tem em si tanto de único como de universal. As pessoas riem. Os miúdos saltam. Toda a gente dança estupidamente. E o Matt, no meio, sorridente por saber que está a permitir um abraço entre todos os povos deste planeta. A globalização não é só o G7, 8 ou 23. A globalização também pode ser isto.
terça-feira, 30 de março de 2010
Blur
Os Blur sempre foram bem melhores do que os Oasis. Em 1995, no auge do britpop e da guerra dos irmãos Gala não sei quê com os Blur, eu torcia por Damon Albarn e os três compinchas. Damon é um artista a sério, não é uma prima donna como qualquer um dos irmãos Gala não sei quê. Não que estes não tenham feito coisas jeitosas, que fizeram. Basta ouvir Don't Look Back in Anger para confirmar. Mas pouco mais do que isso.
Os Blur têm muito mais. Têm To the End. Têm Parklife. Têm Tender. Têm Country House. Têm Girls and Boys. Têm Bettlebum. Têm Song 2. E têm este The Universal, com que encerraram o concerto de Hide Park, no Verão passado. Depois de muita dor na separação, a reunião confirmada para a separação amigável e mais certa. Um concerto memorável, ou assim mo mostra o DVD. Ou assim o lembro em 1997, Zambujeira do Mar. Estive lá e respirei bem aquele pó ao som da Song 2.
Fiquem com o video da The Universal. Grande canção, esta. [Infelizmente com publicidade. Lamento, não consigo tirar esta, digamos, merda.]
domingo, 28 de março de 2010
Otelo, o Primeiro Homem da Luta
O que me agrada na Assírio é a sua imperfeição: uma editora é um cadáver surrealista, esquisito, cesariano. A Assírio não foi sempre a casa da poesia. A Assírio começou muito diferente. E de quando em vez surgem numa ou outra feira - desta vez por um euro na estação Oriente - exemplos de um começo tão pouco literário. Uma editora faz-se da soma dos erros que um editor toma. E, esperamos todos, ainda mais da soma dos acertos. Otelo Saraiva de Carvalho ao lado de Herberto Helder? Agrada-me. Quatro anos de diferença entre o primeiro "homem da luta" e A Cabeça Entre as Mãos. De quem gostamos mais? A capa, em cima, já é um bom pedaço de poesia... Bolonha

Esta viagem foi diferente. Tão cansativa. Mas ao mesmo tempo, não sei bem porquê, reveladora. Nomeadamente de algumas coisas que me parecem importantes de referir. Assim:
- Em Bolonha come-se muita massa. Espanto maior é, existindo o petisco, não existir o nome "massa à bolonhesa".
- Em Bolonha a polícia quando precisa de andar mais rápido usa o Lamborghini que tem na esquadra.
- Em Bolonha a maior parte dos polícias andam de Ducati.
- Em Bolonha não hás revisores nos STCP / Carris lá do sítio. E não há tanto que ninguém paga bilhete nos autocarros.
- Em Bolonha um dos mais interessantes insultos a um jogador (ouvi-o bem alto, atrás de mim, a um jogador do Roma) é "extra-comunitário".
- Em Bolonha, por debaixo da biblioteca pública, há ruínas romanas (bem, bolonhesas, convenhamos). Nelas, um dos caminhos vai dar, em linha recta, directamente a Roma. Por alguma coisa "todos os caminhos vão dar a Roma".
- Em Bolonha descobri que os irmãos Koala não existem na televisão australiana. Na Austrália, basicamente, ninguém sabe quem é que são o Franco e o Beto.
domingo, 7 de março de 2010
The Cranberries
The Cranberries
[Twenty One]
Ao André
O Rambo encostado ao balcão da kitchnet, mil novecentos e noventa
e quatro. O Jonas sonhava com a Sandrina e o André guardava as laranjas
no saco para que pudéssemos, na tarde seguinte, fazer nova pontaria
às gaivotas que planavam junto ao sexto andar da casa da Alexandre
Herculano – e o Douro, em baixo, amparando a Serra do Pilar.
Vinte e um, Jorge, mal sabes tu o que é ter vinte e um anos. Eu não sabia.
O Rambo dizia da velhice como se a morte lhe estivesse já tão perto e a mim
e ao André só restasse esperar. Em mil novecentos e noventa e quatro
tínhamos ambos dezassete anos. Ele já tinha feito vinte e um, a música
dos Cranberries soava a um futuro distante. Passaram mais de dez anos.
As gaivotas continuam a planar sobre o Douro, a Serra do Pilar amparada
pelas águas, mas as laranjas acabaram quando mudamos de casa. O Jonas
esqueceu a Sandrina. O Rambo terá agora bem mais de trinta anos. E os
Cranberries soam à adolescência roubada pelo tempo – vinte e um, vinte e um,
vinte e um.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Joaquim

sábado, 27 de fevereiro de 2010
Rio Sabor

Some-se a isto a catástrofe que a metereologia tem trazido e perceber-se-á que o que vou dizer de seguida pode até ter algum sentido.
Acho que o Homem é um predador. Que encontrou uma maneira interessante de sobreviver como espécie - a tecnologia - que permite que as condições de vida dos seus espécimens sejam bem mais interessantes do que as dos outros predadores. Conforto, portanto. Preguiça. Estar sentado num puff a escrever um post num blogue enquanto vejo a nova temporada do Project Runway, depois de um banho bem quente e vestido de um pijama aconchegante. E que tudo isto não traz nada de mal. Nada. Ou o que traz, compensa. Pois, estamos a estragar o Ambiente, a Terra, os outros animais. Que pena. Nenhuma. A Vida é assim, e já antes os dinossauros estragaram muita coisa e nem cozinhavam antes.
Ou as glaciações; ou a deriva dos continentes no Pérmico que fez com que 95% da vida da Terra desaparecesse à 220 milhões de anos. Ou o cometa que aterrou com estrondo no Golfo do México há 65 milhões de anos e terminou com o apetite tártaro do T-Rex.
Mas posto isto, também não acho que seja preciso ser mauzinho. Parece que há um único rio na península Ibérica que ainda não teve estragos de maior às nossas mãos. E que ainda para mais se chama Sabor. E se o deixassem "sugadinho"? É mesmo preciso o raio da barragem? Não seria de fazer mais uma noutro já devidamente estragado e deixar este a correr como sempre correu?
Não que isto seja assim tão importante, convenhamos. Daqui a umas décadas a adolescência tecnológica terminará como terminam muitas: com uma passagem para a idade adulta devidamente marcada por esse período de borbulhas e camisas estampadas, muita coisa para tratar no psicanalista. Quero com isto dizer que não, que não vamos desaparecer. Que não, que a Terra não vai acabar. Só vamos é deixar de ser 6 biliões para sermos uns milhares ou poucos milhões em bolsas de sobreviventes. E que a Terra, essa, rir-se-á de nós tornando os rios entretanto barrados em novos e magníficos paraísos de selvajaria ou, digamos assim, natureza secundária e novamente virgem.
Até lá, deixem o Sabor em paz; divirtam-se mas não sejam mauzinhos, por favor.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Maria Taylor
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Perry Blake
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Todos os Dias
Escrevi o romance entre 2002 e 2004. Saiu na Dom Quixote, pela mão do João Rodrigues, faz agora exactamente quatro anos. A capa, do Atelier Henrique Cayatte com a Rita Múrias, tinha uma fotografia de Stuart Staples, o vocalista dos Tindersticks. Foi apresentado na Casa das Artes de Famalicão pelo António José Teixeira.
Escrevi-o como se de um projecto de arquitectura se tratasse. Cada voz sabia o tinha de dizer e como dizê-lo. Sentava-me, abria o ficheiro, colocava a banda sonora inicial. Esta que podem ver e ouvir em cima.
Todos os dias acordo com o Manel deixando o André à guarda da minha Lucinda.
É certo que depois o Manel ficou Fernando, o André, Rafael e a Lucinda, Justina. Mas já existiam todos na primeira frase, escrita também em Fevereiro, mas de 2002. Há oito anos. Time flies, se não for mais é o título de um álbum dos Vaya con Dios.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Rosa

domingo, 31 de janeiro de 2010
Todos os Dias

FADE IN:
INT. QUARTO DE AUGUSTO - NOITE
AUGUSTO está deitado na cama, seu leito de morte, muito magro, pálido e em sofrimento. Vem definhando progressivamente devido a um cancro.
Na cabeceira da cama está a sua avó CACILDA, afagando-lhe a testa.
CACILDA
Como te disse, o JANELA pregou-lhe duas estaladas – e tu bem sabes como ele é a calma em pessoa – e o rapaz fugiu para nunca mais voltar, parece-me. Devias ter visto o Putzi atrás dele a ladrar.
AUGUSTO sorri penosamente.
Ouve-se o som de dois toques na porta do quarto, onde está MANUELA, cunhada de AUGUSTO, com um sorriso triste
MANUELA
Posso?
AUGUSTO tenta retirar o braço de debaixo dos lençóis, dando-lhe sinal para que entre.
CACILDA
Eu volto mais logo.
CACILDA levanta-se, beija AUGUSTO na testa e sai.
MANUELA aproxima-se da cabeceira da cama. Senta-se na cadeira onde estava CACILDA.
MANUELA
Como estás?
AUGUSTO encolhe um pouco os ombros. Tira finalmente a mão de debaixo dos lençóis. Toca-lhe nos cabelos, pede-lhe que aproxime da sua boca com o ouvido.
MANUELA
Diz.
AUGUSTO
Eu amo-te.
MANUELA sobressalta-se um pouco, afasta-se levemente de AUGUSTO. Já mais calma, como se essas palavras fossem as esperadas, afaga-lhe o cabelo. Tem um misto de ternura, pena e distância no olhar.
MANUELA
Amar é bom, meu querido.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Haiti [2]

domingo, 24 de janeiro de 2010
Outro Ele
No meio da praça há um leão sobre uma águia. Celebra a vitória do meu povo sobre as invasões francesas, o regresso do rei depois de ter perdido, não dois, mas apenas um país. Hei-de ir a Nelas estabelecer outra provincía ultramarina, passamos o Douro e sabemos atravessado o maior dos mares. Há-de haver um fim para novo achamento. E o leão – mais do que a vitória por 7 a 1 do meu Sporting (não é isso que todos querem lembrar?) – representará o sossego de um país com um nome de terra mais que perfeito.sábado, 23 de janeiro de 2010
Ele
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Sextante

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Haiti



