Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

Lulu on the Bridge

aqui referi da importância da internet no mercado livreiro. Hoje, Hélder Beja publica no suplemento Y do Público uma interessante reportagem sobre a nova edição on line (seja pelo donwload do pdf do livro, seja pela compra em sites como o citado Lulu do mesmo, impresso a pedido para a encomenda).

Entrevistado para a peça, respondi a algumas perguntas. Dessas, citam-me referindo que a poesia é fácil de avaliar (e é), que nunca visitei nenhum site do género (o que era verdade na altura, julgo que há uns dois meses - visitei entretanto) e que dificilmente os autores terão - em grande escala, excepções existirão que irão confirmar a regra, nomeadamente em fenónemos extraordinários no mercado americano - condições de, a partir dessas edições, editar numa editora dita clássica (o que me parece evidente).

Gostava de alargar um pouco aqui as minhas considerações sobre o assunto. Porque poderá a leitura das minhas respostas (parcelares, como referi) não permitir um juízo certo do que penso sobre ele.

Acho o fenómeno de internet entusiasmante para o meio editorial. Blogues, sites pessoais e portais vários, aliados aos fenómenos de donwload e à impressão por encomenda, podem possibilitar a autores que, de outra maneira, nunca teriam um livro impresso e lido por um leitor, ver o seu desejo concretizado. Assino as declarações do Pacheco Pereira sobre o assunto no citado artigo, mas julgo que, devidamente explorada, a impressão a pedido e a internet poderão ser fundamentais no negócio futuro que envolve nichos. E, convenhamos, tirando os tubarões da edição - Leya, Porto Editora, Presença, Gradiva, Bertrand, Civilização e Esfera dos Livros - todos os outros livros são de nicho. Seja de nicho literário (poesia, por exemplo), seja de nicho académico (teses universitárias), seja de nicho temático mais amplo (um livro sobre a qualidade do jogo das equipas de softball portuguesas, por exemplo).

Irá, portanto, a empresa que edita as Quasi (juntamente com a Magnólia, Atelier e Transporte) e gere a Loja das Quasi tentar adaptar-se a estas novas condicionantes de mercado apostando a partir de Setembro na plataforma on line, possibilitanto aos leitores e, claro está, escritores, muitas das ferramentas citadas no artigo.

Até lá, terminemos a leitura de Pedro Páramo de Juan Rulfo. (Sim, leitura. Nunca tinha lido. Ou vou preso por não ter dito, como todos dizem nas férias, que o ando a reler?)

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