Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Sobre a Feira do Livro do Porto [a esta vou eu desde pequenino]

Quando se fala e volta a falar da feira do livro de Lisboa, atitudes da APEL, UEP, Leya, abaixos assinados promovidos pela Gradiva e tanta coisa mais, o Francisco José Viegas faz referência a uma notícia do Público sobre a do Porto. Pelos vistos, também existe. Pelos vistos, também em crise. (A de Lisboa está entregue à Leya. O comunicado da Câmara Municipal de Lisboa, imputando responsabilidades inequívocas à APEL e o esclarecimento pedido a esta são apenas um pro-forma para oferecer o talhão superior da parte nascente à Leya. Era lá - era, repito - que costumava estar o pavilhão das Quasi. Mas nós não temos o estatuto da Leya... Vamos para onde nos mandarem.)

A feira do Porto nunca esteve nem está em crise. A feira do Porto não dá o rendimento, a mais valia, o lucro, o pilim - adoro estes termos do economês - da feira de Lisboa. Mas possibilita algo que é essencial: a promoção das marcas, o contacto do leitor com os livros, a promoção da leitura, a felicidade daqueles que gostam de letras impressas em papel. A de Lisboa também, claro. Mas apenas aos lisboetas (há mais país...).

A Leya vai lá estar. A notícia é portanto falsa. Porquê? Porque o ano passado, por exemplo, já a Dom Quixote delegou na Inovação à Leitura, no senhor António Lopes (nomeio porque isto é feito com gente e para a gente, não são só números e mais valias e economês), a representação na feira. E mais ainda: mesmo que não estivesse não fazia falta nenhuma. Costumo ouvir dos mais velhos, "só faz falta quem cá está", e se as pessoas querem, num misto de capitalice e arrogância, rebaixar as pessoas do Porto, o Porto responderá na mesma medida. Há livrarias, muitas e boas no Porto. E se se comprassem livros apenas das editoras que tratam bem a cidade e aquilo que, afinal, parece ser o seu produto (ai economês!) - o livro?

Quanto à citada ausência da Civilização, ela é ainda mais grave. Não faço ideia se essa ausência é também daquelas delegadas - nós não vamos mas estamos lá representados; nós tomamos posição mas queremos o pilim - mas seja como for é e deve ser motivo de censura dos portuenses e nortenhos sobre aquela que é uma das importantes casas editoriais da cidade. O mesmo grupo que não quer permitir a festa do livro no Porto não se representando, quer que as pessoas comprem os livros nas suas Leituras. Triste.

Uma nota final, muito breve: a Leya não vai mesmo à feira do Porto. Tanto não vai que o António Lobo Antunes vai lá a 24. Deve ser para assinar o livro que em 1994 editou na Escritor, com uns textos que o editor da altura chamou erradamente de poemas. Só pode.

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